Arsenal

Quem não gostaria que existisse paz, quem não gostaria que existisse justiça, quem não gostaria que todos tivessem uma vida boa? Mas essas palavras tomam forma quando começamos a compreender que a violência, as injustiças e o sofrimento não são palavras, e sim a “normalidade” de pessoas como eu, como você, com um rosto, um nome, uma história, sonhos.

Se conseguíssemos compreender essa simples consideração, estaríamos mais atentos à realidade ‒ toda, inteira ‒ da nossa cidade, às “histórias que ninguém conta”, ou melhor, que “ninguém escuta”. Quando começamos a escutar, a pensar e a agir com a compaixão no coração, pouco a pouco vemos que pessoas consideradas invisíveis, marginalizadas e “de rua” se tornam pais, filhos, irmãos, padeiros, pedreiros, pintores e ‒ por que não? ‒ também escritores.

Este livro é um exemplo disso. Ele contém uma pequena amostra de tesouros escondidos no coração de muitos seres humanos provenientes de uma “situação de rua” que o Arsenal da Esperança acolhe cotidianamente (foram quase 70 mil as pessoas acolhidas nesta casa desde 1996 até hoje), procurando responder às demandas de todos eles, oferecendo também uma belíssima biblioteca que todos os anos promove um concurso literário para dar voz aos tantíssimos hóspedes que amam ler, escrever, compor e declamar.

São necessários mil gestos de acolhimento para ajudar uma pessoa não apenas a ficar novamente em pé, mas também para fazer que seus talentos possam reaparecer, para que ela possa lutar e brilhar em benefício de toda a sociedade. Talvez seja o tempo de pensar que a missão de realizar esses gestos, ou melhor, o dever e a beleza de melhorar as coisas são de cada um de nós. O Arsenal da Esperança e este livro demonstram que é possível.

Boa leitura!

Pe. Simone Bernardi

Missionário da Fraternidade da Esperança do SERMIG

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